segunda-feira, 12 de outubro de 2009

feche os olhos e ouça

Feche os olhos e ouça

Duas horas da manhã. Hora do silencio.
Feche os olhos e ouça
O barulho de um carro que passa lá longe,
O ressoar de um chão de madeira estalando no calor,
O ruído de passos abafados de alguém que chega tarde.
Ouça a risada escandalosa de um bêbado
A tosse distante de algum velho
O choro assustado de uma criança com pesadelos
Ouça a respiração entrecortada de um casal
O ranger de um colchão
Uma porta que bate ao vento
Um cachorro que late
Feche os olhos e ouça
O tic tac do relógio
O sussurro da chuva caindo
A gota que pinga do chuveiro
Ouça as batidas de seu coração
Feche os olhos e ouça....

sábado, 13 de junho de 2009

Apple Crisp







Apple Crisp

Tenho um carinho especial por esta receita. Minha mãe fazia para lancharmos no domingo. Ela servia a torta bem quentinha recém saída do forno. Até hoje quando como vem aquele gostinho de infância...


Ingredientes:
· 5 maçãs vermelhas descascadas e cortadas em gomos.
· ½ xícara de açúcar mascavo
· suco de 1 limão
· 1 xícara de farinha de trigo
· 1 xícara de açúcar branco
· ¼ xícara de amêndoas tostadas e picadas ( pode substituir por castanhas de caju)
· 1 pitada de sal
· canela em pó
· 1colher de chá de fermento
· 1 ovo
· manteiga s/ sal em pedacinhos q. b.
· ½ xícara de geléia de damasco peneirada e morna
Chantilly
· 250g. creme de leite fresco
· 1 colher de sopa de açúcar.

Modo de Preparo:
1. Aqueça o forno.
2. Unte generosamente uma forma de torta de fundo removível.
3. Misture o açúcar mascavo c/ o limão. Passe as maçãs por essa mistura e arrume-as no fundo da forma. Polvilhe com canela
4. Em uma tigela grande, misture com a colher a farinha, o açúcar, o sal, o fermento, a amêndoa e 1 colher de sobremesa de canela.
5. Acrescente o ovo e misture-o aos poucos, delicadamente, com um garfo até formar um farofão.
6. Espalhe esta farofa sobre as maçãs, salpique pedacinhos de manteiga por cima e asse até dourar.
7. Desenforme quente, pincele com a geléia e sirva imediatamente, acompanhado por uma generosa porção de chantilly.
Chantilly:
8. Numa batedeira bata o creme bem gelado até formar picos. Acrescente o açúcar e bata cuidadosamente até incorporá-lo. Guarde na geladeira.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Magret de Pato com molho de frutas Secas


Nesse tempinho frito uma receitinha fácil que vai impressionar os amigos.

Sirva acompanhado por um cabernet encorpado.. Garanto que vai fazer sucesso.

Mando depois a receita de gratin com gogumelos.

Quem quiser pode servir com batatas roesti, ou mesmo um purê de batatas básicão.

A gente não precisa se matar na cozinha pra fazer um comida gostosa pros amigos...


Magret com Molho de Porto e Frutas secas e frescas

Ingredientes: 4 pessoas

1/4 xícara ameixas picadas
1/4 xícara de damascos picados
1/4 xícara de amoras frescas ou congeladas
Raspas de uma laranja
Raspas de 1 limão
1 xícara de vinho do Porto
1 pau de canela
1 xícara de demi glace ou caldo de carne
4 peitos de pato ( magrets)
Sal e pimenta moída na hora

Preparo

1. Retire o sassami dos peitos de pato, tempere-os sal e pimenta e faça cortes diagonais na pele, sem atingir a carne.

2. Aqueça bem uma frigideira pesada. Coloque os magrets com a pele virada para baixo, e grelhe-os em fogo médio até ficarem dourados. Vire-os e grelhe-os por 30 segundos. Eles deveem ficar ainda bem crus.Tranfira para uma assadeira e deixe repousar.
Na mesma frigideira, retire o excesso de gordura. Junte os sassamis e deixe dourar. Junte o vinho do Porto, as raspas e a canela e deixe reduzir até à metade. Peneire, descarte os sólidos e volte com o vinho para a frigideira. Junte as frutas secas, o caldo de carne e reduza até espessar.
Acrescente as amoras, levante a fervura, tempere com sal e pimenta e desligue.
.
3Aqueça o forno e leve os magrets para terminar o cozimento, cerca de 5 minutos para ficarem rosados. Para quem qquiser bem mal passado 2 a 3 minutos bastam.

4. Sirva acompanhado por gratin de batatas e cogumelos.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

A boa filha à casa torna


Cá estou eu de volta.
Reconheço que como bloggeira sou meio negligente...
Mas é que de repente a surge um dessas esquinas da vida em que a gente tem que dobrar, e ai....
só Deus sabe o que aparece pela frente.
Fechei o Montagu. Confesso que foi bem sofrido, tanto que só agora consigo falar a respeito.
Um restaurante é como um filho adolescente, daqueles bem problemáticos, tipo que dá dor de cabeça. Aí a gente manda prá longe, para fazer um intercâmbio de um ano e já no dia seguinte estamos chorando de saudades.
Fechei o Montagu. Eu sei, eu já disse.
Foi num domingo. Alguns clientes, que se tornaram nossos amigos, foram lá para um almoço de despedida.
Foi um menu degustação de improviso. Mas foi bom. Nossos amigos trouxeram vinhos copiosos e, de minha parte, me esmerei enquanto pude para dar o melhor de mim naquela derradeira refeição.
O sol já se havia posto quando sairam meus últimos clientes. Olhei o restaurante vazio, e pela minha lembrança passaram, como flashes, tantas noites de casa cheia, a adrenalina da cozinha, clientes , amigos, histórias, conversas, casos, aplausos, burburinho, o tilintar de copos, o barulho de uma louça se quebrando, a mistura de aromas, a correria dos garçons, o monta cargas subindo e descendo, o barulho das portas do bar que se abriam e fechavam sem parar...
Mas em volta só havia o silencio. Eu apaguei as luzes, dei uma última olhada, tranquei a porta e fui embora.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Brasil brasileiro

Pois é. Andei sumida por uns tempos....É que andava por esse Brasil tão grande.
Lá fui eu para a Bahia( Deus salve!) e para Pernambuco. O Nordeste é onde o Brasil é mais brasileiro, onde não tem nome em inglês, onde se fala nossa lingua com aquele sotaque descansado....
A Bahia cheira a dendê, um cheiro frutado e penetrante, que remete a calor, a trópico, a sol.
Na Bahia tem, tem sim sinhô, tem chocolate, tem, tem fruta madura, tem, tem samba e forró, tem, tem festa arretada, tem, tem lambreta, tem, tem liquori, tem, tem maturi ,tem. Tem cozinha boa.
É fruta, é coco, é peixe , é marisco, é tanta coisa que tem lá ...
E Pernambuco então, terra de Bumba meu Boi, terra de carrancas, terra de cajú, de cana de açúcar, de jambo, de cajá e, claro, de bolo de rolo.
No café da manhã se come beijus, batata doce cozida, e café coado no coador de pano. Não é expresso não. Tem que esperar a água fervê. Misturá o pó, e coar no pano. Vem num bule de ágata. Mas o cheiro, o gosto...
O Brasil é terra cheirosa. Tem cheiro de mar, de sol, de chuva, de fruta madura, de esterco, de terra, de suor. Também tem cheiro de coisa triste. Mas tem cheiro de vida.
O Brasil é verde e amarelo. O Brasil é azul e vermelho. É laranja, roxo, e de todas as cores do mundo. E é bonito, é bonito e é bonito.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Tem gente que gosta de sofrer...

É verdade. Tem gente que não consegue se divertir e que quando vai receber os amigos transforma a ocasião num calvário.
Esse tipo de anfitrião é dominado por um misto de perfeccionismo e autopiedade, sério candidato ao troféu “coroa de espinhos”.
Faz questão de fazer tudo sozinho. Escolhe o cardápio mais complicado, com os ingredientes mais difíceis de serem encontrados. Começa os preparativos dois ou três dias antes, vira noites cozinhando e cuidando de detalhes.
No dia do jantar acorda às cinco horas da manhã, vai aos mercados comprar os ingredientes que “só podem ser comprados no dia”, todos raros. Após uma maratona acaba achando o que queria. Volta para casa e, ansioso (acha que não vai dar tempo de fazer tudo), entrega-se a uma atividade frenética. Cinco minutos antes da hora marcada, toma um banho rápido, veste a primeira roupa que vê. Junta as forças que lhe restam, arma um sorriso estóico e vai receber os convidados.
Passa o jantar esperando os elogios que lhe são “justamente devidos”, e que nunca são suficientes. Quando os convidados vão embora jura que nunca mais convida ninguém, porque os amigos “não lhe dão o devido valor”. Estes vão para casa achando que o fulano(ou fulana) cozinha bem mas é um chato.
Há alguns anos fui convidada para um jantar, oferecido por um amigo comum. Tratava-se de uma pessoa de profundos conhecimentos tanto culinários, como enológicos. Ao chegar me deparei com uma mesa posta com tantos copos e talheres que era difícil dizer quais eram os meus e os do vizinho. Ao lado de cada prato havia uma folha de papel e uma caneta. Logo que eu e os convidados nos sentamos, iniciou-se uma sucessão quase interminável de pratos e vinhos, como nos banquetes do Renascimento. Constatamos, então, que o papel e a caneta lá estavam para que pudéssemos fazer anotações sobre cada prato servido, descobrir seus ingredientes e dar notas. Acreditamos que todos os convidados sentiram-se numa espécie de sabatina, em que todos evidentemente foram reprovados. Cá entre nós, sabe-se que alguns sucumbiram aos excessos e à tensão gerada pelo teste e passaram mal.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Uma Pitadinha

É o que faz a diferença.
O que faz um prato ser inesquecível? Será a sua apresentação primorosa? Ou quem sabe suas texturas impecáveis?
Não há escola de culinária, universidade de gastronomia que ensine o grande segredo da “pitadinha”.
Conforme Herman Senn bem resumiu em seu compêndio O Livro dos Molhos(1915) “ é muito difícil ensinar alguém a temperar” .
Jamais me esqueci de um ensopado bordalês( que para mim era exatamente igual a um boeuf bourguignon) que comi num pequeno restaurante no interior da França, já se vai um longo tempo.
Havíamos dirigido por horas e já passara do horário de almoço.
Chegamos a Saint Emilion por volta de das duas horas da tarde.
Embora fosse outono o dia estava perfeito.Sol. Um pouco friozinho....
Claro que a fome era tenebrosa e já estávamos dispostos a parar em qualquer posto ou coisa que o valha e comprar pão, queijo, etc, enfim, o lanchinho básico francês, quando, ao dobrarmos a esquina, avistamos o pequeno bistrô e resolvemos arriscar.
Era bem simples e estava aberto, por um desses fatos inexplicáveis da vida.
O restaurante estava vazio e nos sentamos junto a janela. A cidadezinha era bucólica e simpática, com suas ruelas e arquitetura medievais, e belos vinhedos a sua volta.
Não havia cardápio e o dono nos explicou que naquela hora só havia o tal ensopado que havia sido servido no almoço.
Não havia alternativa: era pegar ou largar.
E lá veio ele, trazendo consigo uma cesta de pães quentinhos, batatas cozidas, e uma terrina de porcelana, repleta de nacos de carne, cogumelos, ervas, pequenas cebolas, tudo mergulhado no melhor molho que já provei. Rico, espesso, perfumado, intenso, pródigo em aromas e sabores, trazia a cada garfada um novo prazer. Regado com uma garrafa de vinho da região, transformou nossa tarde outonal em momentos que jamais esquecerei.
Agradeço a Deus, até hoje, a fome que nos fez provar uma das melhores coisas de nossas vidas.

Recentemente, ao ministrar uma aula sobre molhos, eu me lembrei daquele prato...
Para mim, o componente secreto de um molho, é uma pitadinha da mistura mágica obtida pela ousadia e sensatez, criatividade e respeito pela tradição, generosidade e prudência, conhecimento e humildade, coragem e força de vontade, que se chama talento.